A Pintura Brasileira
LASAR SEGALL
Por Andreia Lisboa

"A Paisagem Brasileira"

Nascido em 1891, na cidade de Vilna, província russa, Segall vêm de uma família de judeus pobres. Pintor, gravador e escultor lituano (naturalizado brasileiro), começou a se dedicar à arte muito cedo. Em Vilna, ele aprendeu a desenhar iluminando as capitulares hebraicas nos textos da Bíblia, transcritos manualmente por seu pai, nos pergaminhos em rolos, para uso litúrgico. Seus primeiros desenhos são de prédios, nunca de gente.

Os judeus são tristes, vestem grossos sobretudos pretos e não saem da cidade. O menino sonha com o campo, onde o céu é azul, há vacas pastando e cães que correm e um rio onde outras crianças brincam. Anos depois, Segall pinta Aldeia Russa, como o seu sonho de menino. Conhecido como pintor de lembranças, ele incorporou a sua obra todas as experiências humanas e artísticas de longos anos de aprendizado. Retrata em suas obras, como tema fundamental, o homem e seus dramas.

Segall logo sentiu que a cidade onde nasceu ficou acanhada demais para a sua evolução. Em 1906, Lasar deixa Vilna para trás. Junto com ele, leva a imagem de uma cidade oprimida, miserável e triste. Vai para Berlim para continuar a sua formação artística. Lá, falsifica a idade para freqüentar a Academia Imperial de Belas-Artes, mas não pode falsificar seus sentimentos. Recebe uma rígida disciplina e, mesmo conquistando prêmios, a idéia de que esse aprendizado limitava a sua evolução artística, foi uma coisa intuitiva de Segall. Quando faz uma exposição, contrário à arte oficial, ao lado de Max Liebermann, ele é desligado da Academia. Volta à sua idade verdadeira e fica fiel à sua identidade artística.

Quando vêm ao Brasil, em 1913, o país ainda está despreparado para compreender e valorizar esse artista de cores tristes e formas sofridas. Mesmo assim, ele expõe suas artes em São Paulo. No final do ano regressa, pela última vez, à Europa, à guerra, a Vilna e ao Expressionismo. Já artista de sucesso, faz várias exposições.
Em 1914, Segall volta à Alemanha à procura de mais campo para a sua arte, mas é internado como súdito russo. É a fase que vai dar a sua maior participação para o movimento expressionista, que passará a ser o principal condutor de sua arte. Ele já percebe a catástrofe da guerra que dois anos depois atingiria a Europa. A dor que fere a sensibilidade do homem, Lasar também sente.

Em 1923, volta ao Brasil e presencia a mudança no mundo artístico, ocasionado pela Semana de Arte Moderna, de 1922. Aqui se radica e, no ano seguinte se casa. O pintor se entrega as nossas cores, suas formas captam os homens e as paisagens da sua nova terra. Descobriu, no Brasil, o milagre da luz e da cor e pinta toda a sua admiração no quadro A Paisagem Brasileira, uma novidade na carreira do pintor. Aqui também há silencio e sofrimento. O jamais respondido dilema do mistério da existência constantemente renovada através do amor. O problema da vivência do Homem e da Mulher surge para o pintor.

A mulher que ele pinta é despida de erotismo, mas sempre tão metafísica e universalmente trágica como a própria existência que ela sublima e representa. Perplexo, Segall encontra no Mangue, centro carioca de comercialização do sexo, a mulher-símbolo do mundo pobre. Não há nas figuras do pintor nenhuma sensualidade, há somente, o testemunho de um grande artista no processo da injustiça social.

Em 1930, Lasar principia a fazer esculturas como uma nova forma de expressão. A II Guerra Mundial e a lembrança dos desastres passados sugerem obras dramáticas. Com isso, Segall faz da sua arte um meio de protesto contra as violências da guerra, contra a perseguição aos judeus, contra a opressão e a miséria. Dois anos depois, ele funda a Sociedade Paulista de Arte Moderna. Nos próximos anos, sua história artística é feita de sucessos e descobertas.

No dia dois de agosto de 1957, Lasar Segall falece em sua casa-atelier, vítima de moléstia cardíaca. Ele nos deixa como herança a qualidade de sua arte e toda a verdade de sua humanidade. Dez anos depois, é criado em São Paulo, na sua antiga residência na Rua Afonso Celso, o Museu Lasar Segall. Lá se organizou uma retrospectiva completa das suas principais obras.

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