Antonio Parreiras

"Cada nação possui um escritor e um artista que a personificam de uma maneira direta. Para o Brasil, esse pintor é Antônio Parreiras, a maior figura de artista de sua pátria e uma das mais belas do mundo." GEROGES NORMANDY,1928

Obra "Esperando o Zagal", datado de 1905

Nascido em Niterói, no dia 20 de janeiro de 1860, o pintor Antônio Parreiras passou a infância solto pelas praias que mais tarde seriam sua inspiração. Desde muito jovem deixou evidente seu interesse pela arte, que se sobrepunha ao interesse pelos estudos. Somente aos 23 anos, em 1883, matriculou-se na Academia Imperial de Belas-Artes, onde ficou apenas dois anos. Por influência de Georg Grimm, de quem foi discípulo, resolveu dedicar-se à pintura ao ar livre e seguir seu professor para a Escola da Boa Viagem, que Grimm fundara em Niterói.

Estava criado assim o Grupo Grimm, integrado por Antônio Parreiras, Giovanni Battista Castagneto, Domingo García y Vázquez, Hipólito Caron, Thomas Driendl, Joaquim José da França Júnior e Francisco Joaquim Gomes Ribeiro, movimento estético que caracterizou o início do paisagismo brasileiro no século XIX. Apesar da curta duração do novo curso, Parreiras aprendeu mais que suficiente para definir-se artisticamente. Como as pinturas eram feitas do natural, suas obras dessa época apresentam muitas casas ensolaradas, árvores e mata nativa, cores intensas. Já em 1885 realizou uma exposição em sua própria casa e no ano seguinte faz sua primeira individual no Rio, na Casa De Wilde, que contou inclusive com a presença do Imperador.

Seu primeiro prêmio na Academia Imperial de Belas Artes foi em 1888, o que lhe possibilitou viagem à Europa, para estudar na Academia de Belas-Artes de Veneza, onde ficou por um ano. Assim que retornou ao Brasil, Antônio Parreiras organizou uma mostra que lhe rendeu o convite para lecionar Paisagem na Academia Imperial de Belas Artes. Dedicou-se pouquíssimo tempo ao cargo, que deixou para criar, em Niterói, sua própria escola de pintura ao ar livre. Em 1890 participa da Exposição geral de Belas-Artes, a primeira da República recém proclamada, obtendo como prêmio a Pequena Medalha de Ouro e prêmios de aquisição de três telas; a Grande Medalha de Ouro só veio a ser conquistada em 1917. A etapa seguinte de sua carreira é marcada por constantes viagens à Europa, principalmente com permanências em Paris, entre 1906 e 1919. Por lá manteve ateliês e participou com sucesso nos salões oficiais. No ambiente artístico francês ficou notabilizado pelo gênero de nu feminino, cuja primeira tela é de 1907.

Continuou a realizar exposições em outras cidades do Brasil, como São Paulo e Belém e, nas telas expostas nessa fase, continua presente o academismo do qual nunca se libertou. Teve seu trabalho reconhecido por inúmeras encomendas de cenas com temas históricos feitas pelo governo para palácios de governo em diversos estados brasileiros. Suas obras também estiveram presentes nas Exposições Gerais da Escola Nacional de Belas Artes, tendo sido premiado nos anos 1918 e 1923 com a Grande Medalha de Ouro e Medalha de Honra, respectivamente. Consagrado, lançou sua autobiografia em 1926, intitulada "História de um pintor contada por ele mesmo" e no mesmo ano recebeu a Medalha de Honra do Salão Nacional de Belas Artes. Um outro prêmio de reconhecimento foi a Medalha de Ouro também na Exposição Universal de Barcelona, em 1929.

Antônio Parreiras faleceu em outubro de 1937 deixando um grande acervo. Quatro anos mais tarde sua casa em Niterói foi transformada no Museu Antônio Parreiras, dedicado a sua obra e vida, que abriga cerca de 230 trabalhos seus e mais uma grande coleção particular de obras de arte de diversos artistas nacionais e estrangeiros. Na II Bienal de São Paulo, cinco obras suas fizeram parte da exposição "A paisagem brasileira até 1900, selecionadas por Rodrigo Melo Franco de Andrade.

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