A História da Fotografia

Alguns modelos antigos de câmaras: 1. Câmara de turista fabricada por Nadar em 1860. 2. Câmara de fole francesa, de 1880. 3. Estereóscopo Velocigraph. 4. Câmara amadora, de 1880. 5. Câmara Zion (1890). 6. Estereóscopo Sigriste (1897). 7. Câmara Sigriste para captar movimentos. 8. Fotosfera de explorador (1888). 9. Câmara a colódio úmido com 12 lentes, de 1870. 10. Câmara tipo binóculo com focagem.


Stúdio de Henry Talbot, foto de 1840

A Arte da fotografia nasceu em 1822, quando o físico francês Nicéphore Niepce (1765-1833), eternizou a primeira imagem da realidade em uma chapa de metal. Logo depois, uma coincidência: o francês Louis Daguerre (1787-1851) e o britânico William Henry Talbot (1800-1877), anunciaram, separadamente, em janeiro de 1839, suas descobertas sobre engenhocas que tiravam fotos de pessoas, cenas e paisagens.

Louis Daguerre

Sempre houve polêmica em torno da paternidade das grandes invenções e com a fotografia não poderia ser diferente. Os ingleses, que reivindicam a invenção da máquina fotográfica, argumentam que o processo "negativo-positivo" criado por Talbot foi o único que atravessou os anos, tornando-se a base da moderna fotografia. Foi de Talbot a primeira foto reproduzida em papel (talbótipo), em 1834.

Para colocar mais calor na discussão, alguns historiadores brasileiros garantem ter provas irrefutáveis de que a fotografia foi inventada no Brasil, em 1833, por outro francês, Hercule Florence, que se utilizou de uma câmara escura. D Pedro II, o nosso Imperador fotógrafo, deu à fotografia o status de arte, sendo ele o responsável pela preservação de grande parte de nossa memória visual do século XIX.

Os irmãos Auguste e Louis Lumière, inventores do cinematógrafo

Discussões à parte, não se pode contestar a criação de Niepce nem a importância de Daguerre, este considerado por muitos o precursor da fotografia, que se associou ao mesmo Niepce para aperfeiçoar a invenção. No ano de 1833 Niepce morreu e Daguerre continuou sozinho. Em 1838, obteve os seus primeiros "daguerreótipos". O sistema criado por Daguerre constava de uma fotografia, que era revelada sobre uma placa de cobre polida e que, depois de certo tempo, perdendo sua coloração, ficava brilhante, dando a impressão de ter sido revelada sobre uma lâmina de espelho. A primeira impressão que se tem ao olhar pela primeira vez para um daguerreótipo, parece ser uma obra inacabada, assim como um negativo comum de filme.

A primeira fotografia do mundo, feita em 1826 por Joseph Nicéphore Niepc

O daguerreótipo caiu em desuso em 1854, quando o inglês Frederic Scott Archer inventou as placas de vidro recobertas por uma película transparente de colódio com iodeto, banhadas com nitrato de prata. Em 1864, B. J. Sayce e W.B. Bolton descobriram a preparação de uma emulsão de brometo de prata em colódio, o que representou um grande passo à frente nas pesquisas, com maior avanço na mesma década, quando C. Russell produziu as placas secas de brometo de prata.

 

Daguerreótipos da coleção de Dom Pedro de Orleans e Bragança

Foi impressionante a evolução tecnológica das câmaras fotográficas. Desde o primeiro daguerreótipo, onde a chapa era batida e revelada dentro da máquina, até chegar às câmaras digitais de hoje, houve grande avanço industrial. Depois do daguerreótipo, surgiram as câmaras de Bertsch (1860), a Express Detective - câmara de reportagem usada por Félix Tourmachou Nadar, em 1890. Foi Nadar quem fez as primeiras fotos aéreas da história. Em 1870, surge o melanocromoscópio de Louis Ducos de Hauron, que inaugurou a fotografia a cores. Os irmãos Auguste e Louis Lumière, inventores do cinematógrafo (1895), foram também os criadores da placa autocromo, em 1903, o que fez surgir o primeiro processo comercial da foto a cores. Em 1914 a Eastman Kodak fabricou o primeiro filme pancromático, de emprego generalizado a partir de 1925. A evolução das câmaras não parava e logo o alemão Hans Hass criou uma máquina estanque e inaugurou a fotografia submarina. A barreira da transmissão foi vencida em 1930, quando foram inventados os belinógrafos portáteis que permitiram o envio das radiofotos. Não demorou muito a ciência passou a se utilizar da fotografia em suas pesquisas, o que aconteceu na mesma década de 1930, quando a luz negra, também conhecida como luz de Wood, foi inventada pelo físico norte-americano Robert Williams Wood (1868-1955).

Rara câmara "Hare Sliding Box", fabricada por George Hare em Londres, 1875, com caixa original, 3 lentes e chapas.

Desde que foi inventada, a fotografia tornou-se responsável pela documentação e conseqüente memória de muitos acontecimentos e fatos históricos, registrando imagens importantes para a humanidade ou mesmo guardando os momentos felizes da família comum. Foi longo o caminho percorrido desde a foto em preto e branco da natureza morta Mesa Posta, em 1822, por Nadar, até a foto colorida dos sapatos de J.R Duram. Enquanto a foto de Nadar, obtida em positivo, teve que esperar mais de 8 horas para ser revelada numa solução de betume-da-judéia com óleo animal, sobre uma base de vidro, a fotografia de Duran foi revelada em poucos minutos, graças ao sistema Polaroid criado em 1948. Hoje, micro câmaras revelam segredos do interior do corpo humano e satélites orbitando no planeta Júpiter mandam imagens instantâneas e nítidas do espaço para a Terra. Mas, isso já não é mais história...

Daguerreótipos no Brasil

As primeiras fotografias que apareceram no Brasil foram os daguerreótipos, segundo o processo inventado por Louis Daguerre. Surgiram no país na época do nosso Segundo Reinado e muitos fotógrafos ou daguerreótipos, fizeram retratos por aqui. Eles faziam viagens periódicas ao interior do país, fotografando os senhores de engenho, fazendeiros de café acompanhados de suas famílias e endomingados nas suas melhores roupas e jóias. Este trabalho muito contribuiu para um melhor estudo da vida, hábitos, indumentária e tipos de figuras do Segundo Império. Os daguerreótipos, depois de revelados para melhor proteção ao sol, eram guardados em estojos feitos de couro ou materiais resinoso, fabricados na Inglaterra e na Alemanha. Esses estojos, às vezes duplos, ao guardar os retratos, transformavam-nos em pequenos álbuns de viagens, semelhantes a pequenos livros de missa. Depois de colocados nos seus estojos, os daguerreótipos eram protegidos por um vidro plano, de espessura muito fina, e debruados às vezes com filetes de ouro ou de metal dourado, semelhante aos usados nas miniaturas antigas.

No Rio de Janeiro, ficaram famosos os daguerreótipos (fotógrafos) Inslei Pacheco, estabelecido na Rua do Ouvidor, 102 e Stahl e Wahnschaffe que ficavam no número 117 da mesma rua. Pacheco tinha na fachada do seu ateliê, não só seu nome, mas também: Fotógrafo da Casa Imperial e, mais abaixo, Cavaleiro da Ordem de Cristo premiado na Exposição Nacional de 1861. Academia de Belas Artes de 1864. Iº Prêmio na Exposição Portuguesa de 1865.

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