Florença - O berço do Renascimento
(Parte III) Texto e fotos de Litiere C. Oliveira


A Pietà de Miquelangelo

A cidade da arte e da arquitetura é também herdeira de rico passado artístico da humanidade. Florença é quase uma visita obrigatória para quem vai à Europa e particularmente à Itália. Não se deve passar menos que três dias na cidade e ainda é pouco. Nós, por exemplo, estamos no terceiro artigo da série sobre Florença e ainda não saímos da Piazza del Duomo.

Resistindo ao desejo de conhecer logo o Batistério ali em frente, entro no Museu da Catedral, localizado atrás da abside da igreja e que guarda obras de arte que estavam na Catedral, no Campanário e no Batistério. Logo na entrada, encontra-se o busto de Cosme I, obra de Bandini. No interior, há esculturas românicas, esculturas e fragmentos arquitetônicos da antiga fachada da Catedral e do Batistério. No andar térreo, entre outras estátuas, encontra-se a Virgem com o Menino Jesus e da Nossa Senhora da Natividade, de Arnolfo di Cambio e o famoso São Lucas de Nanni de Banco. Ainda neste piso estão livros antigos e relicários.

Galeria de Cantores de Donatello, inspirada nos modelos da antiguidade clássica.

No 1º andar pode-se apreciar duas obras primas em mármore que estavam na Catedral e que foram descoladas em 1686, por ordem de Fernando de Médices: a Galeria dos Cantores de Luca della Robia (1431-1438) e a Galeria dos Cantores de Donatello (1433-1439). Na mesma sala estão expostas as esculturas que adornavam o Campanil de Giotto, entre outras. Na sala vizinha encontram-se os painéis originais do Campanário e na sala à direita está o Frontal do Altar de São João Baptista, realizado em equipe por Michelozzo, Verrocchio, Bernardo Cennini e Antonio del Pollaiolo. A última sala abriga o altar em prata com dourados e esmalte do Batistério, magnífica obra da ourivesaria gótica que só ficou pronta no Renascimento. A grande atração do Museu da Catedral, como não poderia deixar de ser, é a célebre Pietà da Palestina de Miguel Ângelo. De quebra, ainda podemos admirar a famosa Madalena de Donatello.

O Batistério

A Porta do Paraíso de Ghiberti

Saindo da Catedral encontramos, bem em frente, o edifício do Batistério, construído nos séculos IV-V próximo da porta setentrional da Florença Romana. O prédio tem planta octogonal com abside semicircular elevada sobre um pódio, mas o aspecto atual teve origem nos séculos XI-XIII. O Batistério de São João tem três portas de bronze, cada uma delas ornamentada com relevos: a porta sul, obra de Andrea Pisano, conta as Histórias da Vida de São João Baptista e as Alegorias das Virtudes; na porta norte, de Ghiberti, as Histórias do Novo Testamento, Evangelistas e Doutores da Igreja; a porta leste é a mais famosa, obra prima de Ghiberti. Para chegar até ela, foi preciso vencer um batalhão de turistas japoneses e de outras nacionalidades, mas valeu a pena. A porta é dividida em 10 painéis que representam as Histórias do Antigo Testamento, com esculturas de personagens bíblicos e retratos de artistas contemporâneos adornando a moldura dos painéis. O projeto foi entregue a Lorenzo Ghiberti em 1425, pela Corporação dos Mercantes e a perfeição da sua execução, seja pelo admirável uso do buril ou pela finura do desenho arquitetônico, recebeu de Miguel Ângelo o apelido de Porta do Paraíso.

O interior do Batistério tem paredes inferiores erguidas com colunas e outras superiores com pilares entre janelas geminadas, cujas superfícies são revestidas com marchetes geométricos de mármore, parecedíssimos com os do chão. Um mosaico do século XIII mostra cenas do inferno, com um diabo devorando almas. Entre as obras de arte, destaque para os sarcófagos romanos e o Sarcófago do Bispo Ranieri, além do túmulo do anti-papa João XXIII. Junto ao Cristo no trono de autoria de Coppo di Marcovaldo, seis faixas reproduzem as Histórias do São João Baptista, as Histórias de Cristo, as Histórias de São José, as Histórias da Gênesis e as Jerarquias celestes com Cristo e os Serafins.

Na próxima edição a Piazza della Signoria