CAIXAS DE MÚSICAS ANTIGAS


Instrumentos musicais automáticos não são uma necessidade de vida, eles são um prazer da vida. Os poucos instrumentos que sobrevivem hoje são apreciados pela curiosidade, felicidade e outras emoções que eles ressuscitaram em seus ouvintes. Há muitos anos, os mesmos instrumentos eram apreciados pelas mesmas razões. (Q. David Bowers)

As primeiras caixas de músicas - instrumentos musicais automáticos ou com movimento próprio - que se conhecem, datam do século XVI e são raríssimas. Eram encontradas em castelos ou nas residências de nobres e burgueses, a grande massa pouca chance tinha de possuí-las.

As caixas de músicas antigas eram produzidas por delicados e trabalhosos processos artesanais. Só começaram a se tornar populares no final do século XVIII, na Suíça e na Alemanha. Tradicional fabricante de relógios, a Suíça passou a produzir instrumentos musicais com sons extraídos de um pente de aço, produzido com a ajuda de um cilindro de metal com pequenos pinos salientes.

Os principais fabricantes alemães de caixas de música ficavam na Floresta Negra e os suíços se localizavam em Genebra, mas entre 1790 e 1820, se desenvolveu uma verdadeira "indústria do campo". Em função dos rigorosos invernos com neve, artesãos de isolavam em casa, cada um deles produzindo uma peça específica da caixa de música. Assim, enquanto um fabricava inúmeras caixas, outro fazia o pente, outro o cilindro e outro arranjava composições para uso no aparelho musical. Estas partes eram levadas para a sede da fábrica e lá eram montadas.
Entre os anos de 1830 e 1860, foram fabricadas excelentes caixas de músicas, que se destacaram mais pela qualidade musical do que pela aparência, pois os mecanismos eram alojados em estojos simples, pouco trabalhados. Os instrumentos musicais desta época produzidos por Nicole Frères, Ducommun Girod e Secoultre, entre outros, são muito procurados por colecionadores e muito valorizados no mercado.

As caixas de música mais elaboradas, com desenhos ornamentais, ricamente trabalhadas, surgiram a partir de 1860. Foram relógios dos mais variados tipos, porta-jóias finamente decorados, caixas com apliques de prata, instrumentos que tocavam até 8 músicas, caixas com bailarinas giratórias e relógios com passarinho mecânico, etc. Mas se ganharam em beleza, essas caixas não representam o mais alto grau do desenvolvimento desses aparelhos, porque mesmo ganhando mecanismos brilhantes e largos cilindros onde se acrescentaram instrumentos de percussão, perderam em qualidade musical.
Caixa suiça do séc. XIX com discos combináveis e porta em vidro jateado. Peça do antiquário Rio Branco, Tarantino e Vasconcelos, onde se encontrava também a caixa reproduzida na matéria acima e na capa do jornal.

A invenção das caixas de música com discos, por volta de 1890, decretou o fim da era dos instrumentos musicais de cilindros. Surgiram depois os pianos automáticos e outras peças similares. Depois da 1º Grande Guerra, as caixas de música passaram a ser fabricadas por grandes firmas suíças como Thorens e Reuges, depois por fábricas de diversos países e mais recentemente pelos japoneses, que popularizaram bastante as caixas de música. Mas as caixas antigas, pela sua beleza artística, durabilidade e perfeição do trabalho manual, permanecem valorizadas e bastante procuradas por colecionadores de todo o mundo.

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