A MULHER NA DÉCADA DE 20

Os anos da década de 20 marcaram mais que uma época. Na realidade foi um período que determinou um estilo de vida. Tema muito procurado pelos colecionadores em quase todos os seus itens, como: moda, móveis, fotos, revistas, postais, posters, enfim a própria época é um motivo de coleção. A mulher foi escolhida para abordar este assunto por abranger muitos dos itens colecionáveis e, também, por termos dela uma concepção um pouco distorcida da realidade da época.

Nesta matéria vamos observar a mulher e tentar fazer seu perfil seu perfil na década de 20 sem o cunho do historiador, sociólogo ou do pesquisador. Vamos nos basear apenas na consulta feita às revistas de 1920 a 1929. Como se pode constatar, a mulher desta época tinha um olhar sensualmente triste e delineado por maquilagem, a boca contornada por traços que davam um efeito de bocas vermelhas que estavam sempre prontas para falar "xu xu".

A mulher vaidosa dos anos 20 dominava uma grande fatia da economia, comprando produtos de beleza, roupas e tudo para enaltecer sua sensualidade. Foi sem dúvida o momento de maior afloramento da vaidade humana em todos os seus aspectos e principalmente da mulher, não só no Brasil, na França e no mundo inteiro. A mulher famosa do momento era Gloria Swanson seguida por grandes lentes e reproduzida no cabelo, no vestuário, na maquilagem, no modo de andar e até no modo de falar. Em termos de diversão, Cassino não era só um lugar para homens e sim um lugar onde as mulheres após quase quatro horas de preparação estética se encaminhavam.

A maioria das propagandas da época visava atingir direto esta beleza tido como frágil, a mulher dos anos 20. A Casa Colombo era especializada em roupas para banho que mais pareciam as atuais roupas femininas para jogar tênis. A menstruação vista como um incômodo ou uma doença favorecia o comércio de variedades de Elixir que "curava os nervos" e restabelecia a saúde da mulher. Entre os milagrosos "Elixires" da década de 20, para a mulher, não podemos deixar de reproduzir estas propagandas da "Revista Careta" de 1922:

"As mulheres mais admiradas são aquelas cujo sangue é vermelho e puro e cujas faces revelam sangue e energia".

"A SALPARRILHA DO DR. AYER RECONSTITUI O ORGANISMO FEMININO APÓS AQUELES DIAS".

Para as grávidas era indicado:

"As gotas salvadoras das parturientes do Dr. Van Der Lann".

Mas, nem só de cuidar de sua beleza viviam as mulheres desta época. As mulheres da década de 20 acompanhavam de longe os movimentos reivindicatórios que cresciam na Velha República. Sem o direito do voto, interferiam de forma indireta nas decisões de seus maridos, irmãos, filhos e outros parentes ou amigos do sexo masculino. Nomes de marcas de cigarros como Dalila e Yolanda, a mulher ia conquistando espaços ditos pertencentes aos homens, como anunciavam nas revistas de armas de fogo, mas sempre com os dizeres: "recomende a seu marido ou irmão que se proteja do ladrão".

Seria necessário um livro inteiro para uma interpretação da real posição da mulher dos anos 20 sem o cunho do historiador, pois as páginas das revistas mostram uma mulher bem diferente da que estamos acostumados a ver em literatura ou retratada em filmes. Com passos gentis e silenciosos a mulher foi buscando seu lugar no mundo masculino e reivindicando o direito de andar ao lado do homem e não a um passo atrás como era o costume da época.

Atualmente, o tema mulher da década de 20 ou 30 em sua nudez pura e velada, é bastante procurado. Na Cartofilia, por exemplo, os cartões postais de mulheres nuas ou apenas insinuando sua nudez, de dois anos para cá tiveram seus valores e procura aumentados em cem por cento. Principalmente no Brasil e na França. As pinturas e esculturas também. Hoje, fotos de mulheres dos anos de 1920 a 1930, nuas ou não, decoram as partes dos lares brasileiros ou adornam móveis em lindas esculturas.

Carla Dantas

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